Google quer gravar o Gemini dentro do chip e promete até 10 vezes mais eficiência

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Atualizado em 27/07/2026
9 min de leitura

O projeto se chama Frozen v2, tem cara de aposta cara e mira 2028.

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O Google está desenvolvendo um chip de servidor que grava parte da arquitetura do Gemini direto no silício. O apelido interno é Frozen v2. Segundo a reportagem do The Information, funcionários envolvidos no projeto esperam de 6 a 10 vezes mais eficiência por watt do que as TPUs atuais da casa.

A implantação nos data centers está prevista para 2028. O Google não confirmou nada oficialmente. Ainda assim a ação da Alphabet subiu 1,5% no dia em que a história saiu, o que já diz alguma coisa sobre o tamanho do que está em jogo.

O que quer dizer “congelar” um modelo dentro do chip

Chip genérico é generalista por definição. Uma GPU ou uma TPU precisa descobrir, a cada modelo novo, qual o melhor caminho para executar as contas. Isso custa tempo, custa energia e sobra circuito parado que você pagou e não usa.

O nome Frozen vem do jargão de treino, onde “congelar” um parâmetro significa travar aquele valor para ele parar de mudar. A ideia aqui é a mesma, só que em metal: uma parte do modelo fica permanentemente gravada no hardware, o que corta etapas de processamento e acelera a resposta.

Traduzindo para o mundo real: é a diferença entre uma cozinha profissional, que faz de tudo, e uma máquina de pão que só faz pão. A máquina de pão é infinitamente mais burra. E faz pão gastando muito menos energia.

A primeira versão do Frozen foi para o lixo, e a ideia era do Jeff Dean

Segundo o The Information, o conceito partiu de Jeff Dean, cientista-chefe do Google DeepMind. O desenho original era mais radical: gravar os próprios pesos do modelo dentro do chip. Pesos são os valores ajustados no treino, o que de fato define como o modelo responde.

O Google abandonou essa versão porque o chip serviria para uma única versão do Gemini e ficaria obsoleto rápido demais. Imagina fabricar silício sob medida para um modelo que é substituído a cada quatro meses. Haja dinheiro jogado fora.

O Frozen v2 é a versão adulta da ideia. Ele grava a arquitetura, ou seja, a planta do prédio, e não a mobília. Pesos novos continuam podendo ser carregados normalmente. Quanto da arquitetura vai ficar realmente gravado no chip, segundo a reportagem, ainda não foi decidido.

Menos conta e menos vaivém de memória, que é onde o watt some

O ganho prometido vem por dois caminhos, e vale entender os dois porque eles explicam o número.

O primeiro é reduzir a quantidade de cálculos necessários para rodar o Gemini. Isso costuma ser feito com fusão de operações, uma técnica que junta várias contas separadas em uma só, que termina mais rápido.

O segundo é cortar a movimentação de dados. Quando a rede neural não cabe na memória do chip, pedaços dela ficam guardados fora e precisam ir e voltar o tempo todo. Esse vaivém é lentíssimo e engole energia. Se o Frozen v2 tiver memória suficiente para rodar o Gemini inteiro dentro de casa, esse gargalo simplesmente some.

De 6 a 10 vezes por watt: o que isso faz com o preço do token

Vamos fazer a conta em voz alta, porque o número sozinho não quer dizer nada.

O Gemini 3.6 Flash, lançado nesta semana, custa US$ 1,50 por milhão de tokens de entrada e US$ 7,50 na saída. Se o custo de servir esse modelo cair por um fator de 6, a margem do Google naquele preço explode. Ele passa a poder cortar preço agressivamente e continuar ganhando dinheiro, enquanto o concorrente que aluga GPU sangra.

Só que eficiência por watt não é preço final. No preço final entram a amortização do chip, a rede que liga os racks, a memória, o data center, a energia e a margem que a empresa decidir tirar. Um chip 6 vezes mais eficiente não vira uma API 6 vezes mais barata. Vira uma API que o concorrente tem dificuldade de acompanhar quando o Google resolver brigar por preço.

Frozen v2 não briga com a TPU, briga com a conta de luz do Google

Este ponto costuma se perder. O Frozen v2 não foi desenhado para substituir a linha TPU, e provavelmente nunca vira produto de prateleira para cliente externo.

A razão é simples: ele só funciona enquanto o Google mantiver a mesma arquitetura de modelo. Vender isso para terceiros seria vender uma dependência. As TPUs, que rodam qualquer modelo, continuam sendo o produto comercial, alugadas para a Meta, oferecidas na nuvem e empurradas pelo programa TPU@Premises como alternativa à NVIDIA, com uma meta interna nada modesta de abocanhar 10% da receita anual da fabricante.

O Frozen v2 tem outro alvo: o aperto interno de capacidade computacional do próprio Google. É um chip para a casa, com volume de produção menor que o da linha TPU, tratado internamente como um teste da tese de silício superespecializado.

2028 é longe, e é aí que a história fica frágil

Agora a parte cética, que a manchete costuma esconder.

A informação vem de fontes internas, não de um anúncio. O Google não confirmou o projeto nem os números. A faixa de “6 a 10 vezes” é larga demais: 6 e 10 são cenários bem diferentes, e eficiência depende brutalmente do tipo de carga que você roda. Um ganho que se confirma na inferência do Gemini pode simplesmente não aparecer em outra tarefa.

E tem o risco arquitetural, que para mim é o maior de todos. O chip nasce apostando que a arquitetura do Gemini vai continuar parecida com a de hoje. Se o Gemini 5 mudar de estrutura, e o Google acabou de anunciar que começou o pré-treino mais ambicioso da sua história para o Gemini 4, esse silício vira um peso de papel muito caro.

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Quanto isso mexe no bolso de quem paga API em real

Com o dólar em torno de R$ 5,08, um time brasileiro que gasta US$ 2.000 por mês em API está torrando cerca de R$ 10.160 mensais, ou R$ 122 mil por ano. Não é pouco para uma startup de dez pessoas.

Se em 2028 o Google conseguir cortar o custo de servir e repassar metade disso ao cliente, esse mesmo time economizaria uns R$ 5 mil por mês. Repasse, porém, é decisão comercial, não consequência física. Quem tem 70% do mercado costuma repassar bem menos do que quem está correndo atrás.

O detalhe estrutural para o Brasil é outro e vale dizer sem rodeio: a gente não fabrica nada disso. Nossa exposição a essa briga é 100% via nuvem e via câmbio. Quando o dólar sobe, a conta de IA da empresa brasileira sobe junto, independentemente de quantos watts o Google economizou na Virgínia.

O que fazer agora se você paga inferência todo mês

  1. Não reescreva nada por causa de 2028. Chip que ainda nem foi fabricado não entra em planejamento de arquitetura de software.
  2. Meça custo por tarefa, não por milhão de tokens. É a única métrica que sobrevive a mudança de preço de tabela.
  3. Mantenha uma camada de roteamento entre você e o modelo. Quem consegue trocar de fornecedor em uma linha de config é quem vai capturar as quedas de preço quando elas vierem.
  4. Cuidado com contrato longo de nuvem apostando em preço futuro. Comprometimento de três anos baseado em rumor de chip é o tipo de decisão que envelhece muito mal.

Três dúvidas que a reportagem do Frozen v2 deixa em aberto

Se o chip só serve para o Gemini, por que o Google gastaria bilhões nisso?
Porque o Google é o maior cliente do Google. Ele serve Gemini na Busca, no Workspace, no Android e na nuvem, em volume que nenhum cliente externo chega perto. Economizar energia na própria operação já paga o projeto, mesmo sem vender uma unidade.

Seis a dez vezes mais eficiente significa API seis a dez vezes mais barata?
Não. A métrica citada é desempenho por watt, que é só uma fatia do custo total. O resto continua igual, e a margem é escolha da empresa. O efeito realista é o Google ganhar espaço para brigar por preço, não uma promoção automática.

Isso ameaça a NVIDIA de verdade?
Não diretamente, porque o Frozen v2 nem deve ser vendido. A ameaça real à NVIDIA continua sendo a linha TPU, que é comercial e já tem meta interna de morder 10% da receita anual dela. O Frozen é a prova de conceito de que dá para ir mais fundo na especialização.

O Google confirmou alguma coisa disso?
Não. Tudo que existe até agora é reportagem baseada em fontes internas, replicada por veículos como The Decoder e SiliconANGLE. Trate como informação bem apurada, não como fato oficial.

Onde eu aposto nessa jogada do Google

Eu acho o Frozen v2 a decisão mais lúcida que o Google tomou este mês, e olha que ele lançou três modelos na semana.

Explico. O Google está apanhando na régua de benchmark, com o Gemini 3.5 Pro atrasado pela terceira vez. Nessa situação, tem duas saídas: correr atrás na inteligência do modelo, que é uma briga incerta e demorada, ou mudar o campo de batalha para o lugar onde você tem uma década de vantagem inegociável. Silício próprio é esse lugar. Ninguém mais no Ocidente tem um programa de chip de IA com esse tempo de estrada.

A parte que me deixa desconfiado é o casamento com a arquitetura. Congelar a planta do Gemini no metal em 2026 para usar em 2028 é apostar que o jeito de fazer modelo não vai virar de cabeça para baixo em dois anos. Nos últimos dois anos ele virou umas três vezes. Esse é um chipzinho com data de validade escrita na certidão de nascimento.

Mesmo assim, escuta o que eu tô falando: a briga da IA em 2027 vai ser decidida em dólar por token servido, não em ponto de benchmark. E quem tem fábrica de eficiência própria começa essa briga com vantagem. Se o Frozen v2 entregar até a metade do que promete, é máquina.

E você, trocaria de fornecedor de IA só por preço, ou o modelo que você usa hoje já virou casa?

Fontes

ESCRITO PELA IA. REVISADO POR HUMANOS.

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