A China virou a quarta maior fabricante de memória do mundo e agora cobra mais caro que a Samsung

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Atualizado em 27/07/2026
7 min de leitura

O controle de exportação americano era pra travar a China na memória. Deu tão errado que a chinesa agora dita preço para o mercado inteiro.

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A CXMT, fabricante chinesa de memória, saltou de 3% para 8% do mercado global de DRAM entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Com isso, virou a quarta maior produtora de DRAM do mundo.

Junto com a YMTC, que faz memória flash, ela está usando essa posição para negociar preço mais alto e priorizar cliente doméstico grande.

E não é retórica. A CXMT já cobrou mais que a Samsung por módulo de memória de servidor DDR5 de 64 GB comparável, num mercado em que o preço de referência da coreana rondava US$ 1.240 por unidade.

Dobrar de tamanho em um ano e cobrar mais que a líder

Vamos dimensionar o salto. Sair de 3% para 8% de participação em quatro trimestres significa quase triplicar a fatia num mercado que não é fácil de entrar.

Mas o dado mais revelador não é a participação, é o preço. Empresa que entra em mercado maduro entra por baixo, cobrando menos para roubar cliente. Foi assim que a China entrou em painel, em bateria, em painel solar e em carro elétrico.

Cobrar mais que a Samsung é comportamento de quem tem produto disputado e não precisa se justificar. É a diferença entre ser alternativa barata e ser fornecedor necessário.

Detalhe que reforça isso: segundo apuração, a CXMT chegou a negar alívio de fornecimento até para a Huawei, campeã nacional chinesa. Quando você diz não para a Huawei dentro da China, você está vendendo tudo que consegue produzir.

US$ 7 bilhões com a ByteDance, US$ 3 bilhões com a Tencent

Os contratos mostram onde o volume está indo.

  • ByteDance: acordo de fornecimento de cinco anos avaliado em mais de US$ 7 bilhões.
  • Tencent: acordo separado de mais de US$ 3 bilhões em memória DRAM de servidor.

Somando só esses dois, são mais de US$ 10 bilhões em compromisso de compra. E a lista de clientes inclui ainda Alibaba Cloud, Lenovo e Xiaomi.

Isso significa que a demanda chinesa de IA está sendo abastecida por memória chinesa. Do ponto de vista de quem desenhou o controle de exportação, esse é exatamente o resultado que não se queria: em vez de segurar a China, criou-se um fornecedor doméstico com escala e caixa para investir.

A CXMT, aliás, prepara uma abertura de capital no mercado STAR para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões. Dinheiro que vai direto para mais capacidade de fábrica.

Preço de contrato subiu 95% em um trimestre

Agora o número que explica por que você está pagando caro em pente de memória.

Segundo o UBS, o preço de contrato de DRAM subiu cerca de 95% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. Quase o dobro em três meses. E o banco projeta que o ciclo de alta continue pelo menos até o fim de 2027.

A gente já tinha registrado aqui que a DDR5 subiu mais 7% em julho e acumula 448% de alta em um ano. Agora dá pra ver o mecanismo por trás: a IA consome memória de alta velocidade em quantidade absurda, os data centers também precisam de DRAM convencional e armazenamento comum, e todo fornecedor do planeta está com a agenda cheia.

Quando todo mundo tem fila de espera, ninguém precisa competir por preço. Nem a Samsung, nem a SK Hynix, nem a CXMT. E o consumidor final entra na fila atrás do data center.

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Isso encarece seu PC, seu celular e até seu console

Aqui é onde a geopolítica encosta na sua carteira, e o caminho é direto.

Memória é componente de tudo: notebook, desktop, celular, console, câmera, roteador, carro. Quando o preço da DRAM dobra em um trimestre, o fabricante tem três opções, e ele usa as três: repassa preço, corta capacidade de memória do produto de entrada, ou atrasa lançamento.

No Brasil isso vem multiplicado. O componente é comprado em dólar, entra com imposto de importação, e o varejo repassa com margem calculada sobre o custo já inflado. Um aumento de 30% no componente lá fora vira bem mais do que 30% na etiqueta aqui.

O conselho de bolso, e ele é o mesmo que eu dei sobre a Intel: se você precisa trocar de máquina, antecipa. Se você monta PC, compra memória antes do processador, porque a memória é o item que está subindo mais rápido. E se alguém te oferecer upgrade de RAM por preço de 2024, fecha na hora sem pensar.

Não gasta com upgrade de capacidade que você não vai usar, porém. Comprar 64 GB porque “tá caro e vai piorar” é a forma mais elegante de perder dinheiro com medo.

As dúvidas de quem só quer saber se o PC vai baratear

A memória chinesa é pior que a coreana?
Já foi. O fato de ByteDance, Tencent, Alibaba, Lenovo e Xiaomi comprarem em volume de servidor indica que passou no crivo de quem não pode errar. E cobrar mais que a Samsung não é coisa que fornecedor de segunda linha consegue fazer.

O controle de exportação americano falhou então?
Falhou no objetivo de conter a capacidade chinesa em memória. A China ainda não tem a litografia mais avançada, o que limita o topo de linha. Mas em memória, que não exige o nó mais moderno, a barreira foi contornada.

Quando o preço da memória cai?
O UBS projeta ciclo de alta até pelo menos o fim de 2027. Ciclo de memória historicamente vira quando entra capacidade nova de fábrica, e fábrica leva de dois a três anos para ficar pronta. Ou seja, não é ano que vem.

Vale esperar Black Friday?
Com estoque apertado e preço de reposição subindo, o desconto de Black Friday em componente de memória tende a ser cosmético. Historicamente o que aparece nessas datas em cenário de escassez é preço inflado antes e cortado depois.

O que essa história ensina sobre bloquear tecnologia

Vou dizer na lata o que eu acho: essa é a demonstração mais limpa que existe de que bloqueio tecnológico funciona como acelerador de substituição.

Você corta o acesso de um país gigante a um componente essencial. Esse país tem mercado interno enorme, dinheiro estatal e urgência política. O resultado previsível não é ele parar, é ele construir o próprio. Demora mais, custa mais, mas quando fica pronto você criou um concorrente que antes não existia e que agora tem cliente cativo.

E olha a ironia: agora esse concorrente tem poder de preço suficiente para encarecer memória no mundo inteiro, inclusive para os consumidores dos países que impuseram o bloqueio. Você e eu estamos pagando pente de RAM mais caro em parte por causa disso.

Não estou dizendo que controle de exportação nunca faz sentido. Estou dizendo que ele tem prazo de validade, e o prazo é o tempo que o outro lado leva para construir a alternativa. Escuta o que eu tô falando: em memória, esse prazo já venceu.

Você compraria pente de memória de marca chinesa se estivesse 30% mais barato que a Samsung?

Fontes

ESCRITO PELA IA. REVISADO POR HUMANOS.

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