Alphabet fatura US$ 119,8 bilhões no trimestre e queima caixa pela primeira vez na história

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Atualizado em 27/07/2026
9 min de leitura

Cloud cresceu 82%, o Gemini chegou a 950 milhões de usuários e a receita bateu recorde. Só que o capex dobrou e, pela primeira vez desde a abertura de capital, o caixa da empresa ficou no vermelho. A conta da IA chegou.

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A Alphabet divulgou na quarta-feira (22) o balanço do segundo trimestre de 2026: receita de US$ 119,8 bilhões, alta de 24% sobre o ano passado e acima dos US$ 116,9 bilhões que o mercado esperava. O Google Cloud cresceu 82%, o maior salto da história da divisão. E, no meio de tanto número gigante, um detalhe histórico: o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões, o primeiro trimestre no vermelho desde que a empresa abriu capital, segundo o Financial Times.

Colocando o câmbio de R$ 5,08 na conta, a Alphabet faturou cerca de R$ 608 bilhões em 90 dias. É mais de R$ 6,7 bilhões por dia, incluindo sábado, domingo e feriado.

A receita mastigada, linha por linha

O grosso do dinheiro segue vindo de publicidade. Os anúncios do Google somaram US$ 81,63 bilhões no trimestre, contra US$ 71,34 bilhões um ano atrás. O YouTube contribuiu com US$ 11,06 bilhões em anúncios, alta de 13% e acima do esperado, segundo a Variety. A divisão de Serviços como um todo (busca, YouTube, Play, hardware) cresceu 15%, pra US$ 94,5 bilhões.

O lucro líquido impressiona ainda mais no papel: US$ 112,1 bilhões, quase o quádruplo de um ano atrás, como destacou o New York Times. Mas aqui vale uma lupa: boa parte desse salto veio de ganhos contábeis não realizados com investimentos (a fatia da Alphabet na SpaceX, por exemplo), não da operação. Analistas como Ed Zitron calculam que, sem esse efeito, o lucro por ação cairia de US$ 9,11 pra perto de US$ 2,85. O negócio vai muito bem, mas não quatro vezes melhor que no ano passado.

Outro detalhe que o mercado notou: a receita de busca cresceu 16,8%, um tiquinho abaixo do consenso de 17,1%. Foi a primeira vez desde o fim de 2023 que a busca veio abaixo do esperado. Nada dramático, mas em empresa desse tamanho, décimos de ponto movem bilhões.

Cloud a 82%: de eterna promessa a máquina de imprimir contrato

O Google Cloud faturou US$ 24,8 bilhões no trimestre, alta de 82% sobre o ano anterior, quando o mercado esperava algo perto de 63%. Isso coloca a divisão num ritmo anualizado de quase US$ 100 bilhões. Pra quem acompanha há tempo, é uma virada e tanto: o Cloud passou anos como o patinho feio que só dava prejuízo. Agora é máquina.

E o melhor indicador não é nem a receita: é a fila. A Alphabet revelou um backlog de US$ 514 bilhões em contratos de nuvem assinados e ainda não entregues, ante cerca de US$ 460 bilhões no trimestre anterior, segundo a Bloomberg. A margem operacional do Cloud também deu um salto, saindo da casa dos 21% pra perto de 36%. Na chamada com analistas, a direção repetiu o mantra do ano: a empresa segue com falta de capacidade pra atender a demanda.

US$ 44,9 bilhões de capex em 90 dias, e a promessa de mais

Agora, o outro lado do balanço. Pra sustentar essa demanda, a Alphabet gastou US$ 44,92 bilhões em capex só no segundo trimestre, o dobro do mesmo período de 2025. E subiu de novo a projeção do ano: entre US$ 195 e 205 bilhões em 2026, quando em abril falava em “até US$ 190 bilhões”.

Vamos fazer essa conta em voz alta, porque ela é absurda. US$ 200 bilhões divididos por 365 dias dão perto de US$ 550 milhões por dia em chips, data centers, terrenos e energia. Em reais, o capex do ano passa de R$ 1 trilhão. É por isso que o caixa ficou negativo: a empresa gerou rios de dinheiro na operação e gastou rios ainda maiores em infraestrutura.

Antes de alguém gritar “crise”: a Alphabet terminou o trimestre com US$ 242,5 bilhões em caixa e aplicações. O CFO avisou que o fluxo de caixa livre deve seguir pressionado pelos investimentos. Traduzindo: o vermelho é escolha estratégica, não acidente.

Gemini com 950 milhões de usuários e 22 bilhões de tokens por minuto

Do lado dos produtos, o Gemini chegou a 950 milhões de usuários mensais, ante 900 milhões em maio e 750 milhões em fevereiro, segundo o The Verge. As APIs de modelos da empresa processam 22 bilhões de tokens por minuto, ante 16 bilhões no trimestre anterior. São 200 milhões de usuários novos em cinco meses, o que ajuda a explicar por que falta computador até pra quem tem R$ 1 trilhão pra gastar.

E a tese de que a IA mataria a busca segue sem aparecer no caixa: a busca acelerou o crescimento em relação ao ano passado, e a empresa diz que meio milhão de anunciantes já usam suas ferramentas de campanha com IA. O Google também começou a exibir anúncios dentro das respostas do AI Mode, os chamados links patrocinados destacados. A busca com IA virou vitrine, e vitrine no Google sempre vira boleto pra anunciante.

O tamanho dessa aposta visto daqui do Brasil

Pra dar escala ao número: o capex de R$ 1 trilhão que a Alphabet vai torrar em 2026 equivale a 20 vezes os R$ 50,4 bilhões que todos os bancos brasileiros juntos vão investir em tecnologia neste ano. Uma empresa só, num ano só, gasta o que o sistema bancário inteiro do Brasil levaria duas décadas pra investir no ritmo atual.

No efeito prático por aqui: quem usa Google Cloud no Brasil disputa a mesma capacidade escassa que o resto do mundo, e a direção já avisou que usa até infraestrutura de terceiros pra dar conta. Preço de nuvem com IA não deve cair tão cedo, e contrato de longo prazo com desconto virou a moeda do momento. Se a sua empresa depende de GPU na nuvem, prenda esse preço enquanto dá.

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A temporada de balanços virou tribunal do capex

A Alphabet abriu a temporada de resultados das gigantes, e o clima em Wall Street mudou de pergunta. Um ano atrás, o mercado queria saber quanto cada empresa ia crescer com IA. Agora quer saber quanto cada uma vai gastar, e se algum dia esse dinheiro volta. A Semafor resumiu bem o momento: os balanços deste trimestre viraram um escrutínio coletivo do gasto com IA.

O caso da Alphabet é o teste perfeito dessa tese, porque os dois lados da balança são extremos. De um lado, o maior crescimento de nuvem da história da empresa e meio trilhão de dólares em contratos na fila. Do outro, o dobro de capex e o caixa no vermelho. Cada gigante que reportar nas próximas semanas vai ser lida com essa mesma régua, e quem mostrar gasto crescendo sem receita acompanhando vai apanhar feio.

Tem um detalhe técnico que merece atenção: parte dos analistas notou que o Google Cloud passou a descrever sua receita como vinda “principalmente” da venda de sistemas de TPU, os chips próprios do Google. Se a leitura estiver certa, o Google está virando também um vendedor de hardware de IA, concorrendo com a NVIDIA por dentro da própria nuvem. É um movimento silencioso que pode valer mais que muito anúncio barulhento.

As dúvidas que esse balanço deixa no ar

Se o lucro quadruplicou, por que a ação não explodiu?

Porque o mercado sabe ler nota de rodapé. O salto veio de ganho contábil com investimentos, não da operação. E o anúncio de mais capex assustou quem já achava a farra cara: a ação chegou a cair no after hours, segundo o SiliconANGLE.

Caixa negativo é sinal de problema?

Com US$ 242,5 bilhões guardados, não. É decisão deliberada de investir mais do que gera. O risco real aparece depois: o investidor Bob Elliott calcula que, desde 2024, o Cloud gerou cerca de US$ 30 bilhões de lucro extra ao custo de US$ 140 bilhões de capex. Se a demanda de IA desacelerar, essa conta fica feia.

O backlog de US$ 514 bilhões vira receita quando?

Ao longo de vários anos, conforme a empresa entrega capacidade. É justamente por isso que o capex não para: contrato assinado sem data center pronto é só papel. A fila crescer US$ 54 bilhões num trimestre diz que a demanda segue maior que a oferta.

Quem paga essa festa no fim do dia?

Anunciante e cliente corporativo de nuvem. A publicidade segue sendo dois terços da receita, e o Cloud repassa o custo da infraestrutura nos contratos. O usuário comum paga com atenção e dados, como sempre pagou.

Queimar caixa virou o preço do ingresso

Minha leitura: esse balanço é o retrato do momento da IA. Acabou a era em que big tech era sinônimo de máquina de gerar caixa sem esforço. Agora ou você aposta pesado, e aceita ver o caixa sangrar por alguns anos, ou sai da mesa. A Alphabet é das pouquíssimas empresas do planeta que podem bancar essa aposta com dinheiro próprio, sem pedir licença a ninguém.

Entre uma empresa “eficiente” que perde o bonde da IA e uma que queima US$ 5,9 bilhões num trimestre com meio trilhão de dólares em contratos na fila, eu fico com a segunda sem pestanejar. Haja bolso, mas o bolso existe.

E você, acha que essa farra de capex volta como lucro ou como ressaca? Comenta aí.

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Fontes

ESCRITO PELA IA. REVISADO POR HUMANOS.

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