A Apple empurrou o óculos pra 2027 e ainda está em dúvida se põe câmera

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Estreia adiada pra WWDC de junho de 2027, venda no fim daquele ano, e a Apple ainda testa um protótipo sem câmera nenhuma. O motivo tem nome e sobrenome: Ray-Ban Meta.

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A Apple empurrou os óculos inteligentes pra 2027. A apresentação deve acontecer na WWDC de junho, com venda ao consumidor prevista pro fim do mesmo ano. Quem contou foi Mark Gurman, da Bloomberg, na edição do dia 26 da newsletter Power On.

O produto era pra ter aparecido antes. Escorregou. E a parte mais estranha da reportagem é que, a essa altura do campeonato, a Apple ainda não decidiu se o óculos vai ter câmera.

Três protótipos na mesa, e um deles não tem câmera nenhuma

Segundo o relato, a empresa está prototipando caminhos diferentes:

  • Óculos com câmera que alimenta a IA mas não deixa você tirar foto nem gravar vídeo
  • Óculos sem câmera alguma
  • Óculos com câmera completa, cercada de proteções de privacidade novas, que é apontado como o caminho mais provável

Entre as proteções em estudo aparece uma bem específica: se alguém adulterar a luzinha que indica gravação, o aparelho desliga a captura. É pequeno detalhe de engenharia que revela o tamanho da preocupação, porque adulterar o LED de gravação é exatamente o truque que virou tutorial de internet nos óculos concorrentes.

Gurman também diz que as equipes tratam privacidade como prioridade número um do produto, e que a Apple prepara recursos de hardware e software nessa área que não existem em nenhum aparelho atual da casa.

O motivo do medo tem processo, país e número de trabalhadores

Não é paranoia corporativa. É o que aconteceu com a Meta nos últimos meses.

Em março, uma ação coletiva nos Estados Unidos, movida por Gina Bartone e Mateo Canu, acusou Meta e Luxottica de mandar imagens capturadas pelos Ray-Ban Meta pra revisão manual de terceirizados no Quênia, sem contar isso pro usuário.

A investigação que originou o caso saiu na imprensa sueca, nos jornais Svenska Dagbladet e Göteborgs-Posten. O material revisado, segundo o relatado, incluía cenas domésticas absolutamente privadas.

Em abril, a Meta encerrou o contrato com a terceirizada Sama, movimento que afetou mais de 1.100 trabalhadores.

Antes disso, em fevereiro, o New York Times tinha revelado documento interno da Meta descrevendo um recurso chamado internamente de “Name Tag”, que permitiria identificar pessoas no campo de visão usando a câmera e a IA da empresa. Reconhecimento facial em óculos de rua, basicamente.

Junta tudo e você entende por que a Apple, que construiu a marca inteira em cima de privacidade, prefere atrasar dois anos a lançar e virar manchete do mesmo tipo.

Sem tela: é um AirPods com armação e olhos

Pra não criar expectativa errada, esse primeiro modelo não tem display na lente. Nada de realidade aumentada flutuando na sua frente.

O que está previsto:

  • Microfones e alto-falantes de ouvido aberto, pra música, ligação e notificação
  • Siri e Apple Intelligence integrados
  • Câmera, se ficar, usada pra dar contexto visual pra IA e não pra fotografia
  • Casos de uso como direção a pé, passo a passo, com a IA enxergando a rua
  • Conexão próxima com iPhone e Apple Watch

É basicamente um AirPods que enxerga. E isso não é crítica: o AirPods vende horrores justamente por resolver uma coisa só, muito bem. A pergunta é se enxergar adiciona valor suficiente pra justificar carregar mais um aparelho no rosto.

O Ray-Ban Meta custa R$ 3.299 aqui, e a Apple não vai chegar mais barato

Enquanto a Apple decide, o concorrente já está vendendo no Brasil há tempo.

O Ray-Ban Meta Gen 2 chegou por aqui a partir de R$ 3.299, com bateria de até oito horas e captura de vídeo em 3K, nas armações Wayfarer, Skyler e Headliner. Em março saíram as versões com foco em lente de grau, Blayzer Optics e Scriber Optics, a partir de R$ 3.899.

Agora vamos ao chute que ninguém quer dar. Preço de Apple no Brasil segue uma regra cruel e bem conhecida: o produto sai mais caro que o equivalente americano e mais caro que o concorrente direto. Se o óculos da Apple sair na faixa de US$ 500 lá fora, o que é razoável pra um produto sem tela mas com marca, a conta aqui com imposto e margem passa fácil dos R$ 5 mil. Escuta o que eu tô falando.

E tem o detalhe do grau. Metade do público que quer óculos inteligente já usa óculos, e lente de grau em armação premium adiciona de R$ 800 a R$ 2 mil dependendo do tipo. O custo real de entrada é bem maior que a etiqueta.

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Vale esperar 2027 ou comprar o da Meta agora?

Conselho de bolso, sem enrolação.

Se você quer o brinquedo hoje, o Ray-Ban Meta é o único jogo em cidade com preço de gente. Funciona, tem loja física no Brasil, tem assistência. Só entra sabendo que você está comprando um produto cujo fabricante está sendo processado por como trata as imagens capturadas. Se isso te incomoda, é motivo legítimo pra não comprar.

Se você usa iPhone e é do tipo que troca de aparelho a cada três anos, esperar faz sentido. Comprar um óculos de R$ 3.299 agora sabendo que a integração de verdade com o seu telefone chega em dois anos é jogar dinheiro numa ponte.

Se você quer o óculos pelo áudio, e muita gente quer, para tudo. Fone de ouvido aberto decente custa entre R$ 400 e R$ 900 e faz a mesma coisa. Não gasta três mil reais numa armação pra ouvir podcast.

E vale a pergunta que ninguém faz na loja: você conhece alguém que comprou óculos inteligente e ainda usa depois de seis meses? Pensa nisso antes.

As dúvidas que aparecem quando a Apple demora e o concorrente já vende

Atrasar dois anos não é entregar o mercado de bandeja pra Meta?
Em volume, sim. A Meta vai ter anos de vantagem e base instalada. Mas a Apple nunca ganhou por chegar primeiro, ganhou por chegar quando a categoria estava pronta pra virar produto de massa. Foi assim com tocador de música, celular e relógio.

Óculos sem câmera ainda serve pra alguma coisa?
Serve como fone e assistente de voz, e é bem menos útil pro que a Apple está prometendo. Sem visão, a IA não te ajuda a atravessar a rua nem lê o cardápio pra você. Por isso o caminho apontado como mais provável é manter a câmera com trava, não removê-la.

Se a privacidade é o diferencial, dá pra confiar mesmo?
Confiar cegamente, não. O que dá pra observar é o incentivo: a Apple ganha dinheiro vendendo aparelho, a Meta ganha vendendo anúncio baseado em dado. Isso não torna uma santa, só faz o custo de vazar ser muito maior pra quem cobra caro pelo hardware.

Chega ao Brasil junto com os Estados Unidos?
Historicamente não. Produto novo de categoria nova da Apple costuma demorar de seis meses a um ano pra chegar oficialmente aqui, e o Vision Pro demorou ainda mais. Conta com 2028 pra loja brasileira, e com importado caro antes disso.

Onde eu aposto nessa briga de óculos

Vou ser honesto sobre uma coisa: eu achei o atraso acertado, e acho que quase ninguém vai concordar.

O mercado inteiro está tratando isso como sinal de que a Apple perdeu o bonde de novo, como perdeu com IA. Só que a categoria de óculos inteligente tem um problema que nenhum lançamento resolveu ainda, e não é técnico. É social.

Câmera no rosto incomoda as pessoas ao redor, não o dono. O dono adora. Quem está do outro lado da mesa é que fica desconfortável. E é isso que trava a adoção em massa, não bateria nem resolução. Enquanto o produto for socialmente constrangedor de usar em bar, reunião e escola, ele fica em nicho por mais bonito que seja.

A Meta descobriu isso do jeito difícil, com processo e apelido feio na internet. A Apple está olhando essa lição de fora e desenhando o produto em cima dela. Chegar em 2027 com o óculos que as outras pessoas aceitam vale mais do que chegar em 2026 com o óculos que só o dono gosta.

Agora, o risco é real: se a Apple lançar sem câmera pra evitar polêmica, ela vira um fone caro e o produto morre no berço. O combinho que precisa dar certo é câmera com trava confiável mais uma IA que faça algo que o celular no bolso não faça. Se faltar qualquer um dos dois, não compra.

Dá pra brincar em 2027. Comprar mesmo, eu esperaria a segunda geração.

E você, usaria óculos com câmera numa mesa de bar sabendo que todo mundo ali sabe que tem câmera? Responde aí.

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Fontes

ESCRITO PELA IA. REVISADO POR HUMANOS.

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