Bitcoin volta pros US$ 65 mil e os ETFs compram de novo: é fundo ou só um respiro?

Início » Crypto » Bitcoin volta pros US$ 65 mil e os ETFs compram de novo: é fundo ou só um respiro?
Atualizado em 27/07/2026
9 min de leitura

Depois de oito semanas de sangria, os fundos voltaram a captar. Só que o tamanho da volta não combina com o tamanho da queda.

Publicidade

O bitcoin abriu esta quarta-feira, 22 de julho, a US$ 66.508, cerca de 2% acima da abertura de terça, e perdeu força ao longo da manhã, voltando para a faixa dos US$ 65.500. Com o dólar em torno de R$ 5,08, isso coloca a moeda perto de R$ 333 mil.

O contexto por trás desse número é o que interessa. Os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram a segunda semana seguida de entrada líquida, depois de dois meses ininterruptos de saque. A pergunta que está em todo grupo de investidor é a mesma: o fundo passou?

US$ 75,7 milhões em uma semana não desfazem US$ 8 bilhões em oito

Vamos aos números, porque eles resolvem boa parte da discussão sozinhos.

Na semana de 13 a 17 de julho, os ETFs à vista captaram cerca de US$ 75,7 milhões, segundo dados da Farside Investors. Na semana anterior tinham captado US$ 197,4 milhões. Somando as duas, dá algo perto de US$ 273 milhões de entrada líquida.

Agora a outra ponta: antes dessas duas semanas, foram oito semanas seguidas de saída, com mais de US$ 8 bilhões drenados dos produtos.

A conta é cruel. US$ 273 milhões representam pouco mais de 3% do que saiu. É como sangrar oito litros e repor um copo d’água. Melhor que nada, e muito longe de reposição.

A sexta-feira que salvou a semana veio quase toda da BlackRock

Dentro dessa semana morna, teve um dia forte. Na sexta-feira, 17, os fundos captaram US$ 132,3 milhões líquidos. Ou seja: quase toda a captação da semana aconteceu em um único pregão.

E olha a concentração. O IBIT, da BlackRock, sozinho puxou US$ 136,5 milhões naquele dia. O FBTC, da Fidelity, teve saída de US$ 4,2 milhões. Sem a BlackRock, a sexta-feira teria sido negativa.

Isso importa porque muda a leitura. Não é “o investidor institucional voltou”. É “um investidor grande, provavelmente poucos, alocou por um produto específico”. Fluxo concentrado em um emissor é sinal mais frágil do que fluxo espalhado por todos.

Quase metade do topo evaporou, e o calendário do halving explica parte

O topo histórico do bitcoin foi de US$ 126.198, em outubro de 2025. Do topo até agora, a queda passa de 47%. Em maio deste ano chegou a furar os US$ 74 mil, arrastado por tensão geopolítica no Oriente Médio e por aversão a risco generalizada.

Quem acompanha o ativo há mais tempo reconhece o desenho. Historicamente o bitcoin faz topo entre 16 e 18 meses depois do halving, e depois entra em um período de baixa que costuma durar cerca de um ano. O halving foi em abril de 2024. O topo veio em outubro de 2025, mais ou menos 18 meses depois. O roteiro está se repetindo com uma pontualidade quase chata.

Isso não é lei da física, é padrão observado em três ciclos, o que estatisticamente é pouquíssima amostra. Mas ignorar o padrão porque a amostra é pequena também não é lá muito esperto.

Os analistas divergem feio, e a divergência é a informação

As projeções para o resto de 2026 estão espalhadas de um jeito raro.

De um lado, o time da queda profunda vê o bitcoin caindo mais 40% a 50% a partir daqui, o que levaria a moeda para a faixa dos US$ 33 mil a US$ 39 mil. Uma casa de investimento chegou a projetar mais 30% de queda em março, com o argumento do ciclo de quatro anos ganhando força.

Do outro, o time da correção rasa acha que o pior já passou ou que o piso fica entre US$ 55 mil e US$ 60 mil.

Quando previsões sérias variam de US$ 33 mil a US$ 60 mil para o mesmo ativo no mesmo semestre, a leitura honesta é: ninguém sabe. E quem te disser que sabe está vendendo alguma coisa.

No Brasil, a isenção de R$ 35 mil sobreviveu, e nem todo mundo percebeu

Aqui tem uma confusão que ainda circula e vale desfazer, porque ela muda a conta de quem está pensando em realizar prejuízo ou lucro agora.

A MP 1.303/2025 propunha acabar com a isenção mensal de R$ 35 mil em vendas de cripto e substituir a tabela progressiva por uma alíquota única de 17,5%. Muita matéria publicada em 2025 tratou isso como certo para 2026. Só que a medida provisória perdeu a validade em outubro de 2025 sem ser convertida em lei.

Resultado: para ativos custodiados em exchange com sede no Brasil, a isenção de R$ 35 mil por mês em vendas continua valendo em 2026, e as alíquotas progressivas de ganho de capital seguem em vigor. Quem vende menos de R$ 35 mil no mês em corretora nacional e teve lucro não paga imposto sobre esse ganho.

Atenção ao detalhe que pega muita gente: essa isenção mensal não vale da mesma forma para ativo mantido em corretora estrangeira, que segue regra própria. Se o seu bitcoin está em exchange de fora, não presuma nada. E, com o DeCripto, a Receita passou a receber muito mais informação sobre essas operações do que recebia antes. O tempo do “ela nunca vai saber” acabou.

As fontes divergem sobre alguns pontos dessa transição, e sinceramente é um assunto para o seu contador, não para um post de portal. Eu não sou contador nem consultor de investimento. O que dá para dizer com segurança é que a regra mudou menos do que a manchete de 2025 prometeu.

Publicidade

Como não fazer besteira nesta faixa de preço

  1. Não faça média para baixo com dinheiro que você precisa em 2026. Um ativo que já caiu 47% pode cair mais 40%, e isso não é pessimismo, é aritmética de quem já viu acontecer.
  2. Se for realizar prejuízo, faça a conta de imposto antes. Vender no fim do mês ou no começo do seguinte muda a apuração, e no Brasil isso pode valer alguns milhares de reais.
  3. Confira onde seus ativos estão custodiados. Exchange nacional e exchange estrangeira têm tratamento tributário diferente, e a maioria das pessoas não sabe em qual das duas está.
  4. Trate fluxo de ETF como termômetro, não como bússola. Ele mostra o que já aconteceu na semana passada. Preço se move por juro, liquidez, dólar e humor, tudo junto.
  5. Ignore projeção de preço com número redondo. Quem crava US$ 20 mil ou US$ 200 mil está fazendo marketing, não análise.

As dúvidas que aparecem toda vez que o bitcoin cai pela metade

Duas semanas de entrada nos ETFs já significam que o fundo passou?
Não. Duas semanas somando US$ 273 milhões contra oito semanas tirando mais de US$ 8 bilhões é alívio, não reversão. E a captação está concentrada em um único produto, o que enfraquece ainda mais o sinal. Precisaria de várias semanas seguidas, espalhadas entre emissores.

Por que o bitcoin cai junto com a bolsa se ele deveria ser reserva de valor?
Porque na prática o mercado trata bitcoin como ativo de risco, não como ouro digital. Quando juro alto e tensão geopolítica empurram investidor para segurança, cripto sai junto com ação de tecnologia. A tese da reserva de valor pode até estar certa no prazo longo, só que não é assim que o preço se comporta no dia a dia.

Se eu tive prejuízo, posso abater alguma coisa no imposto?
As regras de compensação de perdas em cripto no Brasil mudaram e continuam confusas depois da queda da MP 1.303. Vale checar com contador que trabalhe com criptoativo, porque a resposta depende de onde o ativo está custodiado e de como você apurou nos meses anteriores.

O ciclo de quatro anos ainda funciona depois dos ETFs?
Essa é a discussão mais interessante do momento. Os ETFs trouxeram um comprador novo e mais lento, o que em tese suavizaria o ciclo. Mas o topo de outubro de 2025 caiu quase em cima do que o padrão previa. Por enquanto, o placar está a favor do ciclo.

O que esses nove meses de queda me ensinaram

Vou ser direto: eu não faço a menor ideia de onde é o fundo, e desconfio de quem faz.

O que essa queda deixou claro para mim é outra coisa. Em 2024 e 2025 o discurso era que a chegada dos ETFs e do dinheiro institucional tinha domesticado o bitcoin, transformado ele em ativo de portfólio adulto, menos volátil, menos maluco. Nove meses depois, o ativo adulto caiu 47% e o dinheiro institucional foi o primeiro a sair correndo, drenando US$ 8 bilhões em oito semanas.

Institucional não é mão firme. Institucional é mandato, e mandato tem regra de risco que dispara sozinha quando a volatilidade sobe. O ETF não trouxe estabilidade, trouxe uma torneira maior, que abre e fecha mais rápido nos dois sentidos.

Se você entrou em cripto acreditando que agora era diferente, essa é a lição que vale os nove meses. E se você entrou entendendo que ia doer, então nada disso deveria estar te surpreendendo. A parte que ninguém gosta de ouvir: essa dor faz parte do preço de entrada. Sempre fez.

Nada aqui é recomendação de compra ou venda. Eu não sou consultor de investimento, e você é quem decide o que fazer com seu dinheiro.

Você está comprando nessa faixa, esperando cair mais ou já saiu de vez?

Fontes

ESCRITO PELA IA. REVISADO POR HUMANOS.

Publicidade
WhatsApp
Facebook
X
LinkedIn
Publicidade
Política de PrivacidadeTermos de UsoPolítica de CookiesSobreContato